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O Empobrecimento dos Portugueses e a Greve Geral Nacional

O governo PSD/Montenegro pode orgulhar-se de ter provocado até agora duas greves gerais, mas, pelo andar da carroça, ainda irá produzir mais umas poucas, mesmo que não termine o mandato em 2029. O que acontece está na lógica das dinâmicas sociais e da luta de classes, quando há ataque aos direitos e ao bem-estar dos cidadãos dá-se um reacção em sentido oposto. Não se trata somente de mudar a legislação do trabalho, no sentido de extorquir uma maior mais-valia, mas sobretudo de um plano mais vasto de empobrecimento do povo português. A seguir ao pacote laboral, será a privatização da segurança social, da água, das praias, das ruas e dos espaços públicos, deixando a habitação, por exemplo, de ser um direito constitucionalmente estabelecido para ser um privilégio dos mais ricos e um activo financeiro dos grandes especuladores nacionais e estrangeiros. Montenegro precisa de uma maioria absoluta para atingir os seus objectivos, pede responsabilidade a PS e Chega, no entanto, não tem garantida a legislatura por inteiro, nem é sólida a sua liderança no partido. Foi o líder menos votado em toda a história do PSD, dos mais de 254 mil militantes inscritos, pouco mais de 56 mil com quotas em dia, recolheu 14.467 votos, ou seja, 5,7% do universo laranja. Passos Coelho está à espreita. Os trabalhadores estão em luta.

O governo impõe a lei da rolha e promove o neo-nazismo

Entretanto, o governo agradece ao Chega e IL o apoio nas políticas de imigração e acontece em Portugal, mais precisamente na Figueira da Foz, sob mandato de Santana Lopes, a reunião de toda a escória fascista e de extrema-direita da Europa e do mundo, a Remigration Summit, onde esteve presente o ex-chefe do ICE (“ U.S. Immigration and Customs Enforcement“, o organismo anti-imigração reforçado por Trump), o norte-americano Greg Bovino. Cimeira esta organizada pelo movimento português neo-nazi “Reconquista”, cuja agenda principal, para já, é a expulsão dos trabalhadores imigrantes. Montenegro, PSD e CDS escancaram as portas ao nazismo e ao fascismo, último instrumento a ser lançado pelas elites contra os trabalhadores, migrantes ou nacionais, que ousem opor-se aos planos sinistros do grande capital.

Ao contrário do propagandeado, quer pelos governantes quer pelos seus propagandistas nos media e nas redes sociais, a economia portuguesa não está tão bem como a pintam, daí a necessidade para a oligarquia de mudanças na legislação laboral e de um conjunto de reformas, já elogiadas por Cavaco Silva e ainda não satisfatórias para Passos Coelho. A economia estagnou no primeiro trimestre do ano, apesar de ter crescido 2,3% face ao mesmo período do ano passado; assim, de acordo com os dados do INE, a riqueza nacional não cresceu desde os últimos três meses de 2025 e nem se perspectiva um descolar tão depressa, bem pelo contrário. Esta tem sido a principal razão para uma maior saída de trabalhadores imigrantes de Portugal para outros países, nomeadamente para a vizinha Espanha, e não só ou exactamente as provocações racistas organizadas pelos jagunços do establishment, ou a carestia da habitação, ou os entraves burocráticos da AIMA.

Para que haja uma prossecução das políticas de aumento de exploração dos trabalhadores e levar os trabalhadores a aceitá-las, é obrigatório criar um clima de intimidação a nível da sociedade e dentro da estrutura administrativa do estado. E as notícias da intensificação da repressão são frequentes, para além do ambiente intimidatório nas empresas privadas, e nas greves gerais os casos têm aumentado, na cadeia de supermercados Pingo Doce, do oligarca Soares dos Santos, trabalhadores são agredidos inclusivamente. E dentro do estado utilizam-se métodos semelhantes. O secretário de estado da Proteção Civil Rui Rocha garantiu que nenhum operacional ficará “impune” caso faça declarações aos jornalistas sobre dificuldades no combate aos incêndios rurais; mais tarde veio “esclarecer” o sentido da frase que não era exactamente o literal. Logo a seguir, em tom mais “esclarecedor”, António Nunes, presidente da Liga dos Bombeiros, vem dizer que os comandantes não devem comentar incêndios em curso, apenas o deverão fazer "como cidadãos". Ensaia-se assim a lei da rolha por parte do governo, antecipando que neste Verão haverá forte borrasca incendiária, provocada em grande parte pela política de desprezo em relação à massa florestal derrubada e ainda espalhada por quase toda a Região Centro, devido às tempestades ocorridas em Janeiro. E com as respectivas vítimas também à espera dos tão prometidos apoios.

O povo português está em processo rápido de empobrecimento

«As famílias em endividamento excessivo voltam a aumentar», é o título da notícia, confirmada pelos dados do INE, que mostram que uma em cada dez famílias se encontrava em sobrecarga em 2024; resultados que também indicam que os aumentos de riqueza assentam na subida dos preços das casas. Quase metade dos portugueses já comprou menos alimentos devido à subida de preços, segundo o barómetro da Intercampus, revelando que quase 80% dos entrevistados pedem mais medidas ao governo para conter a inflação e dois terços consideram que o país está pior hoje do que em 2025. Se a pobreza (oficial) baixa, de 17% para 15,4% em dois anos; contudo, mais de 300 mil crianças e 540 mil idosos são pobres, persistindo “fortes desigualdades sociais, regionais, salariais e habitacionais” – relatório "Portugal, Balanço Social 2025". Em relação às crianças, é de referir que uma em cada 20 crianças pobres passou fome em Portugal durante o ano de 2024. Mas, nestas coisas de números oficiais há sempre um “mas”, o risco (“risco” será eufemismo) de pobreza em Portugal sobe para 27,6% se forem considerados os custos com a habitação, segundo estudo da Rede Europeia Anti-Pobreza. E se não fossem os apoios sociais do estado, que Montenegro quer agora retirar com o ajustamento da dita “Prestação Social Única”, haveria quatro milhões de pessoas pobres em Portugal.

O primeiro-ministro veio, quase com pompa e circunstância, “explicar” que a Prestação Social Única (PSU) serve para que os "apoios não se transformem num cheque permanente e num modo de vida”; ou seja, veio chamar aos pobres que recebem algum apoio do estado de malandros, relapsos e oportunistas, que gostam de viver à sombra do estado, confundindo-os com ele próprio e com a oligarquia que vive dos negócios e negociatas com os dinheiros públicos, que foge aos impostos e exportam ilegalmente os capitais para off-shores. Por exemplo, sabe-se que o Fisco tem 29.592 milhões de euros em impostos por cobrar, que desses impostos mais de 60% são já considerados dívida incobrável ou suspensa, por aguardar decisão dos tribunais ou por causa de processos de insolvência, na maioria fraudulentas, montante referente ao ano de 2025, o que representa um aumento de 1.258 milhões face a 2024. Grande fatia de receitas por cobrar vem do IVA e do IRS, de grandes empresas e de grandes empresários.

Ainda em relação à famigerada PSU, Montenegro esclarece que visa "simplificar o regime de apoio social do estado“ e “combater a exclusão social", o que é uma rematada mentira, o verdadeiro objectivo é de restringir ainda mais a sua atribuição, quer ao número de beneficiários quer ao montante globalmente despendido – quem recusar fazer trabalho social fica com apoio suspenso durante 2 anos. Mas para azar do primeiro-ministro, o governador do Banco de Portugal, mais propriamente dito, chefe da sucursal do BCE (Banco Central Europeu) no nosso país, não conseguiu evitar que a boca lhe fugisse para a verdade: os apoios devem ser “para os mais vulneráveis” porque impactam as contas públicas. Não impactar as contas públicas à custa dos mais pobres, é a finalidade da medida, não a mínima preocupação quanto a justiça social ou a honestidade do processo. Não deixa de ser despiciendo referir que este ex-ministro dos pastéis de nata foi obrigado a livrar-se de acções que tinha adquirido já durante as suas funções, aproveitando-se muito presumivelmente da sua situação de acesso a informação privilegiada – enquanto muitos são ainda mais empobrecidos do que eram, outros em menor número não deixam de aproveitar a mínima probabilidade de enriquecer bastante mais.

A situação da economia em geral vai piorar substancialmente e de forma rápida, mais do que se possa esperar a uma primeira vista, muitos empresários estão pessimistas, e com razões sobejas, como se pode constatar pelos 4 mil e 700 empresários inquiridos pelo INE, cuja maioria é de opinião que “o pior está para vir”, justificando com a guerra do Irão; mas não só, a crise é estrutural ao capitalismo. A dívida pública cresceu 3,9 mil milhões no mês de Abril, é o quarto mês seguido a aumentar, atingindo o montante de 287,1 mil milhões de euros, será o resultado das tempestades Kristin como da assunção das dívidas dos privados pelo estado. Os alarmes soaram para o governo apertar o cinto das contas públicas; contudo, como já referimos, grande parte dos portugueses está descontente com a acção do governo perante a crise inflacionista. E as consequências não se fizeram esperar: Sondagem: “PS à frente da AD e Chega perde força”, todos os partidos da direita descem, com o Chega em terceiro lugar e a IL atrás da CDU. Montenegro perde popularidade, registando valores negativos pela primeira vez – sondagem do ICS/Iscte/Gfk Metris. E sonha o gajo com maioria absoluta, deverá ser efeito de alguma droga alucinogénica.

Mal se soube dos resultados das sondagens favoráveis ao PS, com a possibilidade de vir de novo a ser governo, caso houvesses por estes tempos mais próximos eleições legislativas antecipadas, e por interessante coincidência, o Ministério Público desencadeou uma operação de busca à sede nacional do PS e a autarquias onde alguns militantes do PS teriam cometido crimes de corrupção e uso indevido de dinheiros públicos em adjudicações directas. Foram detidos cinco pessoas e foram usados 400 (quatrocentos) inspectores da PJ (quando o PGR diz que o Ministério Público não actua como deveria por “falta de meios”, não está nada mal). Foi no dia 28 de Maio, nos 100 anos do golpe militar que instaurou o fascismo em Portugal, e passados dois dias todos os detidos foram libertados – a montanha terá parido um rato, com o MP a passear pelo Largo do Rato. Foi nitidamente, uma operação de lawfare, com o governo a usar o poder judicial como arma de ataque contra o principal rival. É a fascização do regime, que teve outro episódio com o derrube do governo maioritário do PS/António Costa, embora aqui acreditamos que terá havido colaboração por interesses pessoais do próprio Costa, que não estrebuchou colocando de imediato a lugar à disposição.

A Greve Geral Nacional que se vai realizar a partir das 00 horas de amanhã, é uma greve não só contra o pacote laboral de Montenegro/PSD/CDS, como principalmente contra o empobrecimento geral dos trabalhadores e do povo português, contra o regresso a 28 de Maio de 1926… e contra o governo, que se arvora em executor zeloso do programa da oligarquia de reanimação do seu sistema económico, em crise crónica e profunda, à custa da escravização de quem trabalha e produz. O governo PSD/CDS/Chega deve cair!

Imagem 1: Cartoon de Rodrigo de Matos (daqui)

Imagem 2: 1.º de Maio na Alameda D. Afonso Henriques - CGTP.

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