Passou uma semana sobre o início da agressão em larga escala e não provocada dos EUA/Israel à República Islâmica do Irão, contando com o apoio precioso da base das Lajes nos Açores, utilização essa permitida pelo governo português de Montenegro/PSD/Chega e à revelia do tratado existente. Este só permite a utilização a forças da Nato/Otan e não a ataques unilaterais levados a cabo pela super-potência atlântica. O governo da república portuguesa assumiu uma posição muito semelhante àquela que mantem em relação à guerra da Ucrânia, completa subserviência e vassalagem desprezando os interesses do povo deste país.
A consequência imediata desta guerra no Médio
Oriente é o aumento brutal do preço dos combustíveis, especialmente do gasóleo,
a partir já de amanhã, e que deverá continuar pelos próximos tempos; a que se
juntará a subida das taxas de juros, também já aventadas, e do preço todos os
bens de primeira necessidade, com o dos alimentos em primeira linha. Anunciam a
fome e a miséria a breve prazo. Não devemos ter dúvidas, a participação dos
países da União Europeia nas guerras em curso, e do genocídio do povo palestiniano
em particular, é concreto e objectivo, ultrapassa em muito a mera conivência
táctica.
Foi confrangedor a tentativa do ministro dos
negócios Estrangeiros para justificar o injustificável, de não ter havido
violação do acordo das Lajes e de a utilização ter sido autorizada
presumivelmente por decreto do governo depois do início da agressão. Mais
tarde, veio a saber-se que antes do dia do início das hostilidades a base já
tinha sido usada por aviões que participavam nas operações por sete vezes, e
não por duas ou três. Na mesma linha de subserviência descarada, Montenegro já
tinha condenado as respostas retaliatórias do Irão contra as bases imperiais
nos diversos países do Golfo, omitindo a causa dessas respostas, mentindo
abertamente ao afirmar que “Portugal não acompanhou ação militar dos EUA e
Israel”.
E o primeiro-ministro foi mais longe ainda na
falta de vergonha e cobardia política, apontando que “o regime dos EUA nas
Lajes vem do Governo PS”. Ora, será do início da década de 1990, ao tempo do
último governo do PSD/Cavaco Silva, que Portugal deixou de receber
contrapartidas financeiras pelo aluguer da base, com a alegação do fim da
Guerra Fria e da entrada na UE, passando a vigorar “a cooperação com a Nato”. E
é bom relembrar que foi recentemente que passou a haver atrasos no pagamento
dos salários dos trabalhadores portugueses daquela base, sem que o governo
pressionasse sequer a administração norte-americano e apesar das queixas dos
próprios trabalhadores.
A posição dos vassalos é a de joelhos quando
não é na horizontal, fraca e cobarde perante os poderosos e arrogante e cruel
em relação ao povo e aos trabalhadores. Quanto aos aumentos dos bens essenciais
que se avizinham e que irão suceder-se em cadeia, o governo deveria proibi-los
de imediato e tabelar os preços dos bens alimentares, combustíveis e energia,
para já, e não obedecer à ganância da oligarquia indígena. Não se percebe a
razão dos aumentos dos combustíveis agora, se foram obtidos a partir da refinação
e crude que foi comprado há cerca de dois meses a preços bem inferiores aos
actuais.
Se a Galp teve no ano passado lucros record de
mais de mil e 150 milhões de euros, um acréscimo de 20% em relação ao ano de
2024, então, este ano, os lucros irão disparar muito para além dos 100% se o
preço do brent for atirado para os 150 euros o barril. É o fartar vilanagem que
igualmente se observa nos bancos, que em 2025 tiveram “apenas” lucros de mais
de 5 mil milhões de euros, cerca de metade (2579) só em comissões, ou seja,
mais de 14,5 milhões de euros por dia. Um novo record. E, é bom lembrar, que beneficiam
da benesse de somente uma parte desses lucros estar sujeita a impostos.
A riqueza flui segundo um sistema de vasos
comunicantes, do trabalho para o capital. Se a oligarquia enriquece, a massa
dos trabalhadores empobrece, e empobrece pelos salários baixos, pelos aumentos
que estão longe de acompanhar a subida, que agora será galopante, do custo de
vida. Situação esta que o governo pretende agravar mais ainda com as medidas do
dito “pacote laboral”, que, se vier a ser aprovado, será a mais completa
desgraça e miséria para o povo português em geral, e não exclusivamente para os
trabalhadores assalariados. Esperamos que a posição do novo presidente da
República, que tomará posse amanhã, seja de oposição activa.
António José Seguro irá substituir o beato e
monárquico Marcelo, que ficará na História como a personagem que mais degradou
a função de “mais elevado magistrado da Nação”. Pelas manobras e intrigas
engendradas, pelo carácter dúplice e velhaco, pela falta de coragem e
verticalidade políticas, esta aventesma nem para presidente de junta de
freguesia ou de associação de bairro servia. A par da tristeza do aumento dos
combustíveis, fica a alegria de vermo-nos livres de tão execranda figura.
Fazemos votos de que Seguro ponha travão às maquinações do governo
Montenegro/PSD/Chega e seja um escudo contra as provocações e investidas do
partido da extrema-direita.
O governo ao serviço dos interesses da
oligarquia indígena, e empunhando as bandeiras da extrema-direita, diz ao que
vem só pelo facto do que acontece com muitos dos seus membros, ministros e
secretários de estado. Alguns deles, com habitação em Lisboa, declararam
residência na província a fim de receber ajudas de transporte e subsídio de
alojamento no montante de 724 euros, isentos de imposto. Quantia que muitos
trabalhadores portugueses não recebem ao fim de um mês de duro e penosos
trabalho, já para não mencionar que a maioria dos pensionistas pouco mais
recebem do que metade daquele dinheiro. São “somente” dezanove ministros e
secretários de Estado que pediram aquele apoio. Coitadinhos ficariam na pobreza
se o não recebessem, e, então, o que dizer do ministro da Agricultura (que
entende que os planos de protecção da natureza não devem estorvar os
investimentos dos empresários sem escrúpulos), que tem duas casas na capital e
43.660 euros em rendimentos prediais?
Portugal está entre os países da União
Europeia com menor poder de compra e maior subida na habitação, segundo
dados recentes da Prodata, com certeza que não são os ministros e secretários
de estado deste governo!
Montenegro diz que defende a atuação do
Governo no conflito com Irão, não gagueja e não tem papas na língua, como sói
dizer-se, e assegura que “o uso das Lajes não violou direito internacional”. Em
relação aos poderosos do mundo agacha-se, mas perante os problemas dos
cidadãos, por exemplo, quanto ao acesso aos cuidados de saúde, torna-se
prepotente e desumano:
mais de metade dos utentes morreram à espera
de vaga em cuidados paliativos em 2024; as urgências de obstetrícia e
ginecologia do Barreiro vão encerrar, um erro estratégico e injusto, na opinião
do autarca de Alcochete; a Direção Executiva do SNS trava o aumento de
consultas e cirurgias nos hospitais em 2026 devido às "restrições
orçamentais", os gestores hospitalares já avisaram: "as listas de
espera vão agravar-se"; médico, acusado de dar prioridade no SNS a mais de
1600 utentes encaminhados do privado, não foi expulso com justa causa do
público; a devolução do Hospital de Santo Tirso à Misericórdia teve revés, mas
é para avançar.
Montenegro irá, quase de certeza, ser
condecorado pela Confederação Internacional das Misericórdias, como
aconteceu com Passos Coelho em 2015. Não deixa de ser interessante saber que o
futuro líder da extrema-direita quer que o primeiro-ministro fale menos e
trabalhe mais… os portugueses.
Para se avaliar da verdadeira situação do país
(o país que trabalha e não dos acionistas dos bancos e da corja de
privilegiados que desgovernam Portugal), devemos referir que o endividamento
das famílias, empresas e administração pública aumentou 28,9 mil milhões de
euros, para 851,3 mil milhões de euros em 2025, um outro record. No entanto, a
imprensa de referência arvora em arco com o slogan “Endividamento da economia
caiu para 277,9% do PIB em 2025”. Não caiu, levantou-se, e vai levantar-se
ainda mais se houver recessão económica, como se prevê, se a guerra criminosa
lançada pelo Império e pelo regime de apartheid de Israel continuar; o que é
bem provável e por tempo que ninguém conseguirá calcular.
A juntar à situação mais geral, há que
salientar que muitos cidadãos e empresas ainda estão à espera das ajudas do
governo para fazer frente aos prejuízos resultantes da tempestade, e já lá vai
bem mais de um mês. Há ainda alguns milhares de portugueses sem
telecomunicações, centenas de famílias sem um tecto onde habitar, muitas
centenas de quilómetros de estradas por reparar, canais de rega por reconstruir
e milhões de árvores por recolher. Os prejuízos da tempestade podem chegar aos
seis mil milhões de euros. Em cima disto tudo, vem a guerra que Montenegro
acarinha subservientemente.
Decididamente, os tempos que se avizinham são
deveras sombrios… serão também de luta por outro modelo de mundo social e
económico.

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