As mulheres disseram que foram recrutadas
na adolescência e em famílias pobres.
Natacha Pisarenko /AP
Vítimas da organização católica Opus Dei realizaram a primeira cúpula global da ECA
Global (Ending Clergy Abuse) em Buenos Aires, uma rede global que reúne
sobreviventes, ativistas de direitos humanos, especialistas jurídicos e
defensores de mais de 25 países nos cinco continentes.
No evento participaram especialistas de Argentina, Espanha, México, Peru e Reino
Unido, entre eles os jornalistas Paula Bistagnino, Gareth Gore, Pedro
Salinas e Mónica Terribas, autores de pesquisas sobre a forma como o Opus Dei reduziu centenas de vítimas à servidão
durante décadas em diferentes países.
Os advogados também compareceram e explicaram
as deficiências da legislação que deve proteger as vítimas e as vítimas com
dificuldades de acesso à justiça nas diferentes formas de abuso eclesiástico.
A convocatória para a reunião inédita
antecipou a participação de ex-membros do Opus Dei e de familiares e vítimas de abuso sexual,
"especialmente mulheres argentinas que lideram a primeira e única denúncia
de tráfico de mulheres para servidão na história da Igreja Católica".
Ele também explicou que em outubro passado o
Papa Leão XIV recebeu representantes do ECA. "Foi a primeira vez
que uma organização que luta contra o abuso clerical teve uma audiência papal",
destacado.
Além disso, lembrou que em 2021, 43 argentinas denunciaram perante a imprensa e no Tribunal de Doutrina da Fé do Vaticano que durante décadas foram enganados e submetidos pelo Opus Dei, uma organização que as explorou como servas não remuneradas em condições de semi-confinamento. Em muitos casos, foram vítimas de abuso sexual.
Testemunhos
sombrios de mulheres sobre o Opus Dei
"A denúncia, embora não tenha sido
formalmente respondida pela Santa Sé, motivou o Papa Francisco a decidir
modificar a hierarquia e eliminar privilégios do Opus Dei, a organização
fundada por Josemaría Escrivá de Balaguer em 1928 e presente em 68 países nos
cinco continentes", apontou.
Depoimentos
O diário Tempo Argentina considerou que a cimeira
representava "um acontecimento histórico" e compilou
os testemunhos de Mónica Zambrano, Claudia Carrero e Visitación
Villamayor, algumas das vítimas do Opus Dei que participaram num dos
painéis.
O mulheres disseram que foram recrutados quando
adolescentes e de famílias pobres. Eles as treinaram como empregadas domésticas
supostamente para que tivessem uma oportunidade de trabalho, então elas foram
forçados a trabalhar longos dias em que eles limpavam, preparavam
alimentos, lavavam, passavam roupas e recebiam aulas de religião. Nunca
receberam qualquer pagamento.
Em reclusão, elas não tinham permissão
para conversar umas com as outras e os tempos de descanso eram
mínimos, pois tinham que trabalhar das seis da manhã às dez da noite, inclusive
nos finais de semana. Desde o início foram proibidos as visitas de familiares.
Elas também não podiam sair ou voltar para casa, mesmo que pedissem. Elas só
conseguiram sair graças ao fato de terem escapado e começaram a relatar o que
estava acontecendo na instituição religiosa.


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